Journal December 2025 Release - Flipbook - Page 85
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alguém que se foi... Acreditar no potencial das partículas preciosas e na
profundidade das perguntas que elas nos convidam a realizar faz toda a diferença
nos encontros terapêuticos.
Quer entrar na toca do coelho?
“Além das ideias de certo e errado, existe um campo.
Lá eu me encontrarei com você.”
Jalal-ad-Din Rumi
O processo terapêutico acontece por meio de conversas e envolvem,
invariavelmente, um entrelaçamento de perguntas com respostas, sendo que os
fios desse tear são as palavras. Confesso que sou encantada pelas palavras. Gosto
de perceber o cuidado com que são escolhidas pela pessoa, a força que elas
carregam e as possibilidades que oferecem para a conversa em curso. Para mim,
as palavras dos clientes são precisas e preciosas. E eu as respeito como tal. Além
disso, gosto de brincar com as palavras, de traduzi-las em poesia, de uni-las para
Apresentei aqui alguns relatos de conversas com o outro internalizado visando a
demonstrar como o formato dessa interação cria uma conexão diferente – e
especial – da pessoa consigo mesma e com a sua própria história. Porém, cabe
destacar que esse é apenas um momento do processo terapêutico. Como foi
mencionado nos relatos, os encontros anteriores permitiram que dados
importantes da história alternativa já tivessem sido garimpados (Wylie, 1994) e
estivessem potencialmente presentes, aguardando as perguntas que os
convidassem a serem narrativados. Como nos apresentou poeticamente Pablo
Neruda (1973):
Se cada dia cai
dentro de cada noite
há um poço
onde a claridade está presa.
Narrativando Conversas com o Outro Internalizado: uma Terapia com Pó de Pirlimpimpim.
Journal of Contemporary Narrative Therapy, December 2025 Release, p. 66-87.
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