Journal December 2025 Release - Flipbook - Page 83
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ficou especial, principalmente depois que ele foi diagnosticado com Alzheimer.
Pude perceber a importância que eu tinha para o meu pai, a confiança que ele
tinha em mim, a tranquilidade que eu proporcionei para ele no final da sua vida.
Isso me deixou bem tranquila com relação a ele. Foi bem gostoso. Me deu uma
saudade grande, uma vontade de abraçá-lo! Os três últimos anos da vida dele
foram muito especiais porque vivemos isso de forma plena, incondicional. Foi
muito bom restaurar isso. Poder ter essa experiência foi mais um momento com
ele e isso me deixou bem alegre. No dia seguinte acordei bem, estava feliz!
Então, foi algo muito legal. No começo eu achei que não ia rolar não, que eu sou
realista demais, que isso é uma coisa que envolve a imaginação, e acabou que não
foi! E eu senti que era ele respondendo aquilo, como se ele estivesse
internamente em mim, ali, me respondendo com muito carinho.
Não me lembro bem das perguntas, mas lembro do sentimento de paz e alegria.”
Reflexões sobre ‘o que aconteceu aqui?’
É perguntando que se aprende a perguntar
Paulo Freire
Logo no início da terapia narrativa, sempre que David Epston e Michael White se
encontravam, havia um tipo de ritual que realizavam: assistiam às consultas e
conversavam sobre o que havia de novo e de diferente em suas práticas. David
Epston (2016), fala sobre isso:
E eu também me lembro que, ao final das minhas visitas, ele tirava
um tempo para me perguntar: ‘O que você me viu fazendo de forma
diferente?’ Essa era a minha deixa para revisar não apenas a sua
prática, mas também a minha. E eu também me tornei dedicado e
aplicado em ‘rever’ (ou re-pesquisar) a minha prática, não como uma
forma de verificação, mas me fazendo as perguntas que acredito
Michael fazia sobre si: ‘Como aconteceu o que aconteceu aqui?’, ‘O
que foi que eu fiz que implicou no que aconteceu?’. (p. 85)
Então, para finalizar essas reflexões, convido você, leitor, a me acompanhar por
veredas brasileiras enquanto busco responder à pergunta: o que foi que fiz que
Narrativando Conversas com o Outro Internalizado: uma Terapia com Pó de Pirlimpimpim.
Journal of Contemporary Narrative Therapy, December 2025 Release, p. 66-87.
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