Journal December 2025 Release - Flipbook - Page 81
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tendo a oportunidade de ver a vida em perspectiva – ou, ao menos, de outra
perspectiva.
Foram as respostas a essas últimas perguntas as que anotei. E, como mencionei
anteriormente, essas anotações são motivadas pelas ressonâncias, pela
percepção de que aquelas são palavras preciosas que merecem ser registradas,
colhidas com cuidado, honradas. Assim anotei sobre a admiração:
Gabriel da Ayla: Admiro na Ay que ela não mede esforços para cuidar, para
manter o que tem que ser. Não sei como ela dá conta!
Adriana: Ah, mas a fruta não cai longe do pé! (Rimos juntos)
Gabriel da Ayla: Ela tem muito amor. Sempre soube cuidar. Admiro esse amor e
esse querer cuidar.
E, assim ficaram anotadas as dicas que ele tinha para ela:
Adriana: Quais dicas o senhor teria para dar a ela, agora que o senhor está vendo
tudo de outra perspectiva, de um lugar privilegiado? Imagino que o senhor
tenha uma visão ampliada de tudo e que esteja com vontade de dar uns
conselhos para sua filha que está aqui, tão empenhada em cuidar da sua
Luzinha 3...
Gabriel da Ayla: Ela vai ter mais maturidade. Ela vai aprender. E quando tiver mais
maturidade ela vai aprender a ignorar algumas coisas. Ela precisa aprender
a ignorar, para ficar mais tranquila. E voltar a fazer as coisas que ela gosta:
esporte, viajar, reencontrar seus amigos. Ela está há muito tempo cuidando
da gente. Precisa cuidar mais dela.
Adriana: Será que ela consegue, seu Gabriel?!
3
Apelido carinhoso com que ele chamava sua esposa, a Dona Luzia.
Narrativando Conversas com o Outro Internalizado: uma Terapia com Pó de Pirlimpimpim.
Journal of Contemporary Narrative Therapy, December 2025 Release, p. 66-87.
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