Journal December 2025 Release - Flipbook - Page 75
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neta querida, a Sílvia. E ela estava me falando tanto de você que fiquei
curiosa e pedi para que a gente pudesse conversar. Pode ser?
Álvaro da Sílvia: Sim, claro!
Adriana: Imagino que o senhor saiba de tudo o que ela está vivendo atualmente...
e eu me pergunto, o que o senhor teria a dizer para sua querida neta neste
momento da vida dela?
Álvaro da Sílvia (com a expressão confusa): Não sei...
Segundo Michael White (2012), é importante que a conversa se organize como
um andaime em construção: subindo pelos estágios, paulatinamente, para que a
pessoa possa se sentir segura de sair da história conhecida e familiar até chegar a
narrar o que é possível ser conhecido. É uma forma de colocar em prática, no
contexto terapêutico, aquilo que Vygotsky denominou de zona de
desenvolvimento proximal. Dentro desse marco teórico, a minha primeira
pergunta foi um passo muito grande, em um momento da conversa com o outro
internalizado na qual Sílvia ainda estava se adaptando à dinâmica. Então, voltei
atrás e comecei a fazer perguntas mais familiares, sobre histórias que eu já
conhecia. Perguntei sobre sua esposa, sobre os seus amigos, sobre as idas à
escola na Vemaguet e outros momentos juntos. Assim, pouco a pouco, o Sr Álvaro
foi tendo voz e eu fui percebendo a conversa fluir de forma mais natural, como se
eu realmente estivesse conversando com o outro internalizado – o Álvaro da
Sílvia.
Adriana: Sr Álvaro, me conta como era essa história do senhor ir levar e buscar
seus netos na Vemaguet azul turquesa! Ela ficava mesmo fumaçando?...
Álvaro da Sílvia (rindo): Ah! Era isso mesmo...
Adriana: E a Sílvia, como ela ficava nessa hora?
Álvaro da Sílvia: Ela ria comigo, ficava ali. Ela não sentia vergonha de mim.
Narrativando Conversas com o Outro Internalizado: uma Terapia com Pó de Pirlimpimpim.
Journal of Contemporary Narrative Therapy, December 2025 Release, p. 66-87.
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