Journal December 2025 Release - Flipbook - Page 71
69
SOLUÇÃO dos problemas (Anderson & Goolishian, 2018) e as identidades
preferidas podem ser e aparecer com toda sua boniteza.
A ressonância é como uma bússola que me guia: onde meu encantamento
repousa, onde as palavras me convidam, onde as imagens me animam, ali vou
buscar um oásis de sentido. Então, compartilho com as pessoas as minhas
percepções, seja ‘tornando públicas’ as minhas ideias durante a própria conversa,
seja escrevendo cartas e poemas que evidenciem esses pontos de destaque
(White & Epston, 1990; Ingamells, 2018; Muller, 2024), ou até criando
documentos coletivos – com voz coletiva, documentos vivos ou musicais – com as
palavras resgatadas da conversa (Denborough, 2008, 2018; Newman, 2008;
Müller, 2012, 2013, 2015).
Em todos esses exemplos – e em tantos outros – as palavras são escolhidas com
atenção e carinho, como se no processo terapêutico as pessoas resgatassem a
compreensão do valor de suas palavras e do potencial de suas vozes. Como
propõe Queirós (1986) precisamos ajudar as pessoas a acordarem algumas
palavras para que elas estejam vivas e presentes em suas experiências diárias. E
são as palavras que nos conduzem ao longo de toda a experiência dos encontros
terapêuticos. Afinal, como nos indica White (1988): “Assim, podemos investigar
os benefícios de definir a terapia de ‘méritos literários’ na qual o maior presente
do terapeuta para a pessoa buscando terapia é ajudá-la a se tornar autora dela
mesma” (pag.10). E ele continua: “Essa abordagem estabelece a terapia como um
contexto de curiosidade e é realizada como um esforço colaborativo e uma
investigação sobre novas possibilidades” (p.13).
Uma investigação que acontece por meio de perguntas que funcionam como
portas para as histórias alternativas – ou, como David Epston mesmo diz, um
convite para “mergulhar na toca do coelho” (Marsten, Epston & Markham, 2016).
Segundo White (1988) sugere, existem duas perspectivas principais nas
conversações: perguntar sobre a experiência das pessoas e produzir novos
conhecimentos – e estes, aparecem por meio de histórias que fascinam tanto
quem ouve quanto quem conta. Se prestarmos atenção, a grande maioria das
nossas perguntas emergem das ressonâncias com as histórias que ouvimos, como
uma forma de ampliar o entendimento sobre um aspecto específico da narrativa
que nos tocou de alguma forma. E é importante que as perguntas assim sejam:
um interesse genuíno em saber mais, uma vontade de ampliar as narrativas para
Narrativando Conversas com o Outro Internalizado: uma Terapia com Pó de Pirlimpimpim.
Journal of Contemporary Narrative Therapy, December 2025 Release, p. 66-87.
www.journalnft.com